ISABELLA
A turbulência lá fora não era nada comparada à que estava a acontecer dentro de mim.
Estávamos a voar há três horas em direção a Londres. O jato particular da Montenegro Corp cortava o céu noturno, um casulo de luxo e silêncio a 40 mil pés.
Olhei para Pedro. Ele estava sentado na poltrona de couro bege à minha frente, com o laptop aberto, um copo de uísque intocado ao lado e uma expressão de concentração absoluta. A luz da leitura iluminava os traços duros do rosto dele: a mandíbula travada, a sobrancelha franzida, os lábios apertados numa linha severa.
Ele estava no "Modo Tubarão". Frio. Calculista. Intocável.
E, meu Deus, aquilo irritava-me tanto quanto me excitava.
Desde a manhã do "café e ações", a nossa rotina tinha sido uma maratona de trabalho. Ele queria deixar tudo limpo antes do casamento. Eu entendia a lógica. Mas o meu corpo, agora totalmente recuperado e cheio de energia acumulada, tinha outras prioridades.
Estiquei as pernas, cruzando-as devagar. O som da