ISABELLA
Acordei com o silêncio. Ou melhor, com a falta de um som específico.
A respiração rítmica de Pedro, que me tinha embalado horas antes, tinha mudado.
Abri os olhos na escuridão do quarto. O relógio digital na mesa de cabeceira marcava 03:42. O meu corpo estava pesado, relaxado pela primeira vez em semanas, uma lembrança física do que tínhamos feito. A dor nas costelas era apenas um sussurro distante.
Mas algo estava errado.
Virei a cabeça.
Pedro estava agitado. O corpo dele, geralmente imóvel durante o sono, estava tenso como uma corda de violino prestes a arrebentar. Ele suava. Mesmo no ar condicionado frio, a pele dele brilhava.
— Não... — ele murmurou, a voz strangulada, presa na garganta. — Não... solta ela...
O meu coração disparou. Ele estava tendo um pesadelo.
Tentei sentar, ignorando a fisgada no abdômen.
— Pedro? — chamei baixinho, colocando a mão no ombro dele.
O toque foi como um gatilho.
Pedro reagiu com uma violência instintiva. Num milissegundo, ele s