ISABELLA
Acordar era sempre a parte mais difícil.
Nos sonhos, eu ainda estava inteira. Nos sonhos, eu corria. Eu discutia com o Conselho. Eu ria alto. Nos sonhos, o meu corpo era meu.
Mas então eu abria os olhos e a gravidade caía sobre mim como uma âncora de chumbo.
A dor era a primeira visita. Uma pontada aguda nas costelas a cada respiração. O latejar surdo na minha cabeça, onde o crânio tinha encontrado o vidro. A dormência no braço esquerdo, pesado dentro do gesso.
Respirei fundo, contando até três para a náusea passar.
O teto do nosso quarto. Eu conhecia cada detalhe daquele gesso agora. Sabia como a luz da manhã criava sombras nos cantos.
Virei o pescoço devagar. O movimento era rígido, limitado pela tensão muscular, mas eu precisava vê-lo.
Pedro.
Ele estava a dormir ao meu lado, por cima do edredom, vestido apenas com uma boxer preta.
O meu coração, monitorizado por máquinas silenciosas, apertou-se. Não de dor, mas de um amor tão violento que quase me assustava.
Ele