PEDRO
O calor na fronteira seca do Paraguai era sufocante. O ar cheirava a poeira vermelha e pólvora queimada, um contraste violento com o ar condicionado estéril e frio da UTI onde deixei o meu coração a bater por aparelhos.
O jato pousou numa pista de terra batida clandestina, levantando uma nuvem ocre que cobriu as janelas.
Eu não esperei a turbina parar. Abri a porta e desci a escada, sentindo o sol bater na minha pele como um aviso.
Vargas esperava-me ao lado de um Land Rover preto, blindado, coberto de poeira. Ao lado dele, dois homens que não pareciam investigadores, mas sim mercenários. Rostos fechados, cicatrizes, fuzis automáticos pendurados nos ombros relaxados.
— Sr. Montenegro — Vargas gritou sobre o barulho do vento e das turbinas. — A fazenda "El Refugio" fica a vinte quilômetros a oeste. É uma fortaleza.
— Quem faz a segurança? — perguntei, tirando o paletó de linho italiano e jogando-o no chão de terra vermelha. Não precisava mais dele. Aquele Pedro tinha ficado