PEDRO
Marcus trouxe o laptop. Ele colocou-o sobre a mesa de refeições hospitalar, ajustando a câmera para que o enquadramento pegasse apenas o meu rosto e a parede branca atrás de mim. Mas ele não conseguia esconder o som.
Bip. Bip. Bip.
O ritmo da vida dela era a trilha sonora daquele quarto. E seria a trilha sonora da reunião.
— Eles estão todos conectados, senhor — Marcus informou, a voz baixa. — O Conselho Consultivo, os diretores regionais e os principais investidores. Os rumores da sua... incapacidade... já fizeram as ações caírem 4% na última hora.
— Deixe cair — respondi, sem desviar os olhos de Isabella. — Deixe-os vender. Eu compro tudo de volta amanhã quando eles perceberem o erro.
Ajeitei o colarinho da camisa branca. Passei a mão pelo rosto, sentindo a pele repuxar onde o corte na testa estava a cicatrizar. Eu não parecia o Pedro Montenegro das capas de revista. Eu parecia algo mais primitivo. Mais perigoso.
— Conecte — ordenei.
Marcus apertou uma tecla. A tela ilu