Rafael Barcellos
Acordei antes do despertador.
Na verdade, não me lembro da última vez em que precisei dele. Meu corpo parecia condicionado a despertar cedo, sempre pronto para mais um dia de decisões, números e responsabilidades. Mas, naquela manhã, havia algo diferente. Não era urgência. Não era pressão, era intenção.
Fiquei alguns segundos encarando o teto, sentindo o silêncio do quarto ainda envolto pela penumbra suave do amanhecer. Ao meu lado, Anny dormia profundamente, o rosto relaxado,