Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 3
06 de Janeiro — 19:02 Sexta-feira — Cala a boca, seu imbecil. — Esbravejei descendo com o mesmo atrás. Arregalei os olhos ao ver o homem que estava junto ao meu pai. — Só pode ser brincadeira. — O que foi dessa vez? — Bruno bufou parando ao meu lado. — Sr. Alencar já chegou, o pai vai ficar irritado por você não estar aqui para recebê-lo. — Eu vou me casar com ele? — Sussurrei desesperada ao ver o homem de meia-idade ao lado do meu pai. — Claro que não, sua imbecil, esse é o pai do seu noivo. — Bruno bateu em minha cabeça. Iria revidar quando o olhar dos mais velhos nos encontrou. — Aí estão eles. — Meu pai falou abrindo um sorriso enorme. Tão falso quanto esse jantar. — Venham cumprimentar o Sr. Alencar. — Por favor, apenas Artur. — O homem de barba grisalha sorriu, cumprimentando Bruno que já estava indo ao seu encontro. Coitado, parece ser tão legal. Não sabe em que família está se metendo. — Venha logo. — Meu pai murmurou apenas para que eu escutasse. Respirei fundo me aproximando e suas mãos foram em contato com minhas costas. — Essa aqui é minha garotinha, Artur, minha querida Lívia. — O mesmo sorriu grande passando a mão em meus cabelos. Tive que me segurar para não me afastar de seus toques. — É um prazer conhecer o senhor. — Forcei um sorriso o cumprimentando. O homem sorriu sincero me abraçando. — O prazer é todo meu, querida. Seu pai falou muito sobre você. — Encarei o mesmo que continuava com um grande sorriso no rosto. — Falou? — Sim, apenas coisas boas. — Meu pai tomou a frente da conversa. — Achei que sua esposa e filhos também viriam. — Ah, não, preferi vir sozinho mesmo para ter certeza de que estou fazendo a coisa certa. — Diferente de seus outros sorrisos, Sr. Alencar deu um fraco, como se não tivesse certeza do que queria. — Eu explicarei melhor durante o jantar. — Claro, está certo. Vamos jantar então? É por aqui. — Sorriu levando o homem até a sala de jantar junto com Bruno. Respirei fundo seguindo eles e me sentei. Não sabia ao certo o que estava fazendo aqui, minha vontade é de sair correndo e não voltar, porém, sei que não adiantaria nada. Não adiantou das outras vezes. O jantar foi servido e estava agradecendo por não terem tocado nesse assunto de casamento ainda, mas minha alegria durou pouco quando Bruno tocou no assunto. — Estamos todos muito animados com esse casamento. — Apertei a faca em minhas mãos, pronta para jogar em sua direção. — Confesso que fiquei um pouco surpreso pela proposta na semana passada, pensei em negar, mas alguns acontecimentos me fizeram crer que vai ser algo bom para meu filho e também para as nossas empresas. — Senti seu olhar vacilar. — Por isso, tenho que acrescentar mais algumas exigências no contrato. — E o que seriam? — Meu pai perguntou interessado. — Queria pedir para não comentarem com minha esposa sobre a existência desse contrato, ela não iria aceitar e creio que é a única solução para fazer Rafael criar juízo. — Sem problemas, meu amigo, será como um casamento normal. — Agradeço por isso e, bom, como estava no contrato que me enviou por e-mail, será apenas por um ano, então acredito que seja algo bom. Claro, se for isso que realmente quer, senhorita. — Senti o olhar dos três homens sobre mim. Encarei meu pai e seu olhar duro me fez engolir a seco, suas palavras voltaram em minha memória e senti meus olhos arderem, então me forcei a abrir um sorriso. — É sim. — Tomei um longo gole de vinho ao ver o sorriso vitorioso do meu pai. — Creio que temos um contrato então, Artur. — Meu pai sorriu animado. Durante todo o jantar escutei os planos do meu pai e de Bruno em cima desse contrato, da minha infelicidade. Não me intrometi na conversa, apenas respondia o que me era perguntado e sempre tinha os olhares. --- — Foi um ótimo jantar, meu amigo, espero que esse contrato seja ótimo para todos nós. — Meu pai tocou o ombro do Sr. Alencar assim que chegamos até a porta. — Digo o mesmo, Eduardo. — Sorriu. — Vou marcar a reunião para assinarmos os contratos, envio um e-mail confirmando tudo. — Ok, vamos estar esperando. — Foi um prazer conhecê-la, querida, gostei muito de você. — O mesmo sorriu me abraçando apertado. — Digo o mesmo, Sr. Alencar. — Sorri fraco. Ele é uma ótima pessoa, não deve ao menos imaginar no que está se metendo, afinal, quem teve a ideia do contrato foi meu pai. Nunca é uma boa coisa vindo dele. — Por favor, já disse que é apenas Artur. — Sorriu se afastando e eu concordei. — Preciso ir agora, até mais. — Te acompanho até seu carro. — Os dois saíram de casa. Bruno estava prestes a me provocar como sempre, mas não me dei o trabalho de escutar, subi as escadas correndo e me tranquei no quarto, pondo uma cadeira para travar a maçaneta.






