Cap 79. Do outro lado do vidro
Marcelo seguiu pelo corredor, o coração pesado, em direção à UTI neonatal. O cheiro era diferente ali. Não lembrava hospital. Era mais limpo, mais frio. Um silêncio respeitoso, quebrado apenas por bipes ritmados e o som suave de aparelhos trabalhando sem descanso.
Ele entrou devagar. A enfermeira explicou o protocolo rápido, com a voz baixa, mas ele mal ouviu. Os olhos já estavam presos às incubadoras alinhadas, pequenas demais para conter tudo o que ele sentia.
Seus quatro filhos. Tão pequenos e já lutando para continuar vivos. Ele parou diante do primeiro. Era tão pequeno que parecia irreal. A pele avermelhada, os dedos finos, o peito subindo e descendo num esforço visível, auxiliado por fios delicados. Marcelo sentiu o ar faltar.
— Esse é um dos meninos. — a enfermeira disse com cuidado. — Está reagindo bem.
Marcelo assentiu, mas não conseguiu responder. A mão grande tremeu quando ele a apoiou no vidro da incubadora. Não chegou a tocar o bebê. Tocou o limite entre o mundo e