Cap 78. Sem testemunhas
Marcelo permaneceu sentado ao lado da cama de Milena por horas. Em algum momento, o cansaço venceu. Ele acabou adormecendo inclinado para frente, o tronco curvado, a testa apoiada na lateral do colchão, ainda segurando a mão dela com firmeza, como se soltá-la fosse perigoso demais.
O quarto estava silencioso, quebrado apenas pelo som ritmado dos aparelhos.
Até que a porta se abriu devagar.
— Senhor Marcelo… — a voz veio baixa, cuidadosa.
Ele despertou num sobressalto contido. O corpo reagiu primeiro, rígido, pronto para se mover, mas ele se controlou no mesmo instante. Não fez nenhum gesto brusco. Sentiu o calor da mão de Milena ainda presa à sua e aquilo o acalmou imediatamente. Levantou o rosto devagar e encontrou a enfermeira parada a poucos passos da cama.
— Desculpa acordar o senhor... — disse ela, gentil. — Mas eu precisava avisar que os bebês já estão estabilizados. Se quiser, posso levá-lo até a UTI neonatal para vê-los.
Marcelo olhou para Milena antes de responder