Cap 77. O limite da perda.
Marcelo não ouviu mais nada depois da última frase do médico. O corredor pareceu se estreitar ao ponto de doer fisicamente. Um zumbido tomou seus ouvidos, e quando percebeu, já estava segurando o jaleco do médico com força suficiente para amassar o tecido entre os dedos.
— Não. — disse, baixo no início, a voz rouca. — Você não vai me pedir isso.
O médico tentou manter a postura profissional, mas recuou meio passo ao ver o olhar de Marcelo.
— Senhor, eu preciso que o senhor compreenda a gravidade...
— Eu compreendo tudo. — Marcelo o interrompeu, a voz subindo, tremendo de fúria e pânico. — O que você não vai fazer é me obrigar a escolher quem vive e quem morre.
Ele puxou o médico mais para perto, os olhos vermelhos, a respiração descompassada.
— Você vai salvar os cinco. — disse, cada palavra carregada de ameaça. — Minha mulher e meus quatro filhos. Não me importa como. Não me importa o risco. Não me importa o que você tenha que fazer.
— Senhor Marcelo, isso não funciona