Cap 80. O que nos mantém vivos
O desespero tomou conta de Milena. Marcelo levou a outra mão ao rosto dela, segurando com firmeza e carinho ao mesmo tempo, obrigando-a a encará-lo.
— Ei. Ei. — a voz dele falhou, mas se manteve firme. — Está tudo bem. Eles estão bem.
Ela piscou, confusa, como se não tivesse certeza de que tinha ouvido direito.
— Nasceram... mas... ainda não é hora... não é...— repetiu, quase sem som.
— Eu sei, amor. Eles estão lutando pela vida. Estão bem, são fortes. — ele disse, aproximando o rosto.
O corpo dela relaxou de uma vez, como se alguém tivesse retirado um peso imenso de cima do peito. Ela deixou a cabeça cair um pouco para trás no travesseiro, os olhos se fechando enquanto o ar finalmente entrava nos pulmões.
As lágrimas vieram silenciosas, escorrendo pelas laterais do rosto.
Marcelo beijou a testa dela com cuidado, demorando mais do que o necessário. Mesmo ele tentando evitar, suas lágrimas caíram no rosto de Milena.
— Não chora, amor... eu estou bem.— ela sussurrou.
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