Três noites se passaram, e eu não saí do quarto.
A comida chegava em horários regulares. Eu comia o suficiente para funcionar, nunca o bastante para sentir prazer. A água vinha também, e eu bebia quando minhas mãos começavam a tremer. Dormir nunca vinha de verdade. Quando meu corpo finalmente desligava, era raso e fragmentado, um descanso que não resolvia nada.
Então eu escrevia.
Página após página, até os dedos doerem e os pensamentos pararem de girar nos mesmos lugares. Medo. Raiva. Desejo. Cálculo. Escrevi o nome dele uma vez e arranquei a página. Escrevi de novo mais tarde, menor, como se reduzir o nome no papel pudesse torná-lo menos perigoso dentro da minha cabeça.
Na terceira noite, algo se encaixou.
Aquilo não era segurança. Era alavanca.
Matteo DeLuca não era refúgio. Era tempo. E tempo podia ser negociado, como tudo naquele mundo. Por dinheiro. Por acesso. Por uma saída, eventualmente. Eu não precisava fugir amanhã. Precisava sobreviver hoje.
Na terceira noite, batera