— Quanto tempo?
A pergunta saiu antes que eu pudesse reconsiderar, curta e seca, como se falar em duração tornasse aquilo menos real, menos degradante, ainda que o simples facto de a formular já fosse, por si só, uma admissão perigosa.
Matteo não respondeu de imediato.
Observou-me em silêncio, como se a pergunta confirmasse algo que ele já esperava, algo que eu própria tinha acabado de admitir sem perceber, enquanto o olhar dele me percorria com uma lentidão calculada, sem pudor nem pressa, a