Vieram me buscar pouco depois das sete.
Não foi uma pessoa só. Foi uma pequena equipe, como se aquilo fosse logística. Duas mulheres e um homem que não olhou para o meu rosto nenhuma vez. As mulheres se moviam com calma e rapidez, o tipo de eficiência que vem de trabalhar sob regras que não se dobram.
— É para esta noite — disse uma delas.
Ela colocou a capa de roupa sobre a cama e abriu o zíper com um movimento limpo, treinado.
O vestido surgiu como uma decisão já tomada.
Preto. Longo até o chão. Ombros nus. Tecido pesado. Costuras estruturadas. Nada de suavidade. Nada de fluidez. Ele manteria a forma independentemente do que eu quisesse.
Não tinha sido escolhido para me valorizar.
Tinha sido escolhido para controlar a maneira como eu seria vista.
Não perguntei para onde iríamos. Não perguntei por quê. Nesta casa, perguntas eram tratadas como ruído. A informação chegava apenas quando servia a quem detinha o poder.
Começaram pelo cabelo. Puxado para trás com força. Grampos pr