Mundo de ficçãoIniciar sessãoHelena percebeu que algo estava errado no momento em que entrou na sala e encontrou Lorenzo em pé, encarando a televisão ligada.
O rosto dele estava mais fechado do que o normal.
— O que aconteceu? — ela perguntou, sentindo o estômago apertar.
Ele não respondeu de imediato. Apenas aumentou o volume.
Na tela, a imagem do jantar da noite anterior aparecia em destaque. Fotos dela ao lado de Lorenzo. O vestido vermelho. O sorriso ensaiado.
E, ao fundo, Valentina.
A manchete piscava em letras grandes:
“Novo casamento de Lorenzo Albuquerque já começa sob sombra de escândalo.”
Helena sentiu o sangue gelar.
A reportagem insinuava que o casamento fora apressado para esconder um suposto triângulo amoroso. Comentários maldosos questionavam suas intenções, sugerindo que ela estava interessada apenas na fortuna.
— Isso é absurdo… — ela murmurou.
Lorenzo desligou a televisão.
— A imprensa não publica algo assim sem fonte.
Helena virou-se para ele.
— Você acha que foi ela?
Ele não respondeu. Mas o silêncio foi suficiente.
Helena sentiu o peso da exposição cair sobre seus ombros.
— Minha mãe… ela pode ver isso.
A voz saiu mais fraca do que gostaria.
Pela primeira vez desde que a conhecia, Lorenzo demonstrou algo além do controle.
Preocupação.
— Eu vou resolver.
— Como? — ela perguntou, o orgulho ferido. — Mandando um cheque maior?
Ele deu um passo em sua direção.
— Não fale como se eu estivesse comprando seu silêncio.
— E não está?
A pergunta ficou no ar.
A tensão entre eles mudou. Não era mais apenas atração. Era conflito.
— Você sabia que isso podia acontecer — ele disse, mais firme. — Meu mundo não é gentil.
— Eu sabia da imprensa. Não sabia que seria humilhada publicamente.
As palavras o atingiram.
Helena respirou fundo, tentando conter as lágrimas que ameaçavam surgir.
Ela não era fraca. Não podia ser.
— Eu posso aguentar — disse, erguendo o queixo. — Mas não vou ser tratada como interesseira.
Lorenzo a observou com intensidade.
Algo mudou em seu olhar.
Não era análise. Não era cálculo.
Era admiração.
— Você não é interesseira — ele disse, baixo.
Helena sustentou o olhar.
— Então prove.
O desafio ficou entre os dois.
Alguns minutos depois, Lorenzo convocou uma coletiva de imprensa emergencial na própria empresa.
Helena ficou surpresa.
— Você não precisa fazer isso.
— Preciso, sim.
Horas depois, diante de dezenas de câmeras, Lorenzo segurou a mão dela com firmeza.
Dessa vez, não parecia encenação.
— Meu casamento não é estratégia empresarial — ele declarou, a voz firme ecoando pelo salão. — Helena não tem qualquer envolvimento com decisões financeiras da empresa. Ataques à honra dela serão tratados judicialmente.
Helena sentiu os flashes dispararem.
— E quanto às fotos com sua ex-namorada? — um jornalista perguntou.
O ambiente ficou tenso.
Lorenzo apertou levemente a mão dela antes de responder.
— Meu passado está encerrado. Meu presente é minha esposa.
As palavras foram claras. Diretas.
Sem espaço para dúvida.
Helena o encarou por um segundo.
Ele não estava apenas protegendo a própria imagem.
Estava protegendo ela.
Quando saíram do salão, o silêncio entre os dois era diferente.
Mais denso.
Mais sincero.
Dentro do carro, Helena finalmente falou:
— Você não precisava ter dito daquela forma.
Ele virou o rosto lentamente.
— Eu quis dizer daquela forma.
O coração dela acelerou.
— Isso também não estava no contrato.
Ele aproximou-se um pouco mais, o olhar intenso.
— Talvez o contrato esteja ficando pequeno demais.
O ar ficou pesado novamente.
Mas dessa vez não havia interrupções.
A tensão era elétrica.
— Lorenzo… — ela começou.
Ele ergueu a mão, tocando suavemente o rosto dela.
— Você não está sozinha nisso.
As palavras foram simples.
Mas verdadeiras.
Helena percebeu que, naquele momento, não era apenas um acordo que os unia.
Era algo começando a se formar.
Algo que poderia ser perigoso.
Porque sentimentos não podiam ser controlados com cláusulas.
E a guerra com Valentina estava apenas começando.







