Início / Romance / Contrato com o Coração / Capítulo 5 — Entre Ciúmes e Silêncios
Capítulo 5 — Entre Ciúmes e Silêncios

Helena não conseguiu dormir.

As palavras de Valentina ecoavam em sua mente como um aviso constante: “Espero que saiba onde está se metendo.”

Ela se virou na cama enorme, sentindo-se pequena demais dentro daquele quarto luxuoso. Não era apenas uma ex-namorada ressentida. Havia algo mais ali. Algo perigoso.

Na manhã seguinte, Helena desceu para o café decidida a não demonstrar fraqueza.

Lorenzo já estava sentado à mesa, lendo no tablet, impecável como sempre. Parecia que a noite anterior não o tinha afetado.

— Bom dia — ela disse, mantendo a postura.

Ele ergueu os olhos lentamente.

— Dormiu bem?

— O suficiente.

Ele a observou por alguns segundos, como se tentasse ler algo além das palavras.

— Valentina não costuma aparecer sem intenção — ele disse, voltando ao tablet. — Se ela se aproximar de você, não reaja impulsivamente.

Helena sentiu o orgulho se manifestar.

— Eu não sou fraca.

Ele sustentou o olhar dela.

— Eu sei.

A resposta foi mais suave do que o esperado.

Naquela tarde, Lorenzo insistiu para que ela o acompanhasse até a empresa.

— A imprensa já sabe do casamento. Sua ausência pode levantar suspeitas.

Helena vestiu um conjunto elegante que Marta separou. O prédio da empresa era ainda mais imponente do que ela lembrava. Funcionários olhavam discretamente enquanto ela atravessava o saguão ao lado de Lorenzo.

Ele mantinha a mão em sua cintura, firme. Protetor.

Ou possessivo?

No elevador, o silêncio era quase íntimo.

— Está nervosa? — ele perguntou.

— Não.

Mentira.

Quando as portas se abriram no último andar, Helena viu Valentina.

Ela estava encostada na mesa da secretária, como se pertencesse àquele lugar.

— Que coincidência — disse, sorrindo. — Não sabia que a nova esposa também participaria das decisões.

Helena sentiu o olhar de vários funcionários sobre ela.

— Estou conhecendo o ambiente — respondeu com elegância.

Valentina caminhou devagar em sua direção.

— Cuidado. Esse mundo não é gentil com quem não sabe jogar.

Antes que Helena respondesse, Lorenzo se colocou discretamente entre as duas.

— Valentina, marque horário antes de aparecer.

O tom dele era frio. Autoritário.

Valentina sorriu, mas seus olhos estavam furiosos.

— Claro, Lorenzo. Não gostaria de atrapalhar… a vida de casado.

Ela saiu, deixando um rastro de tensão.

Dentro da sala, Helena soltou o ar.

— Ela trabalha aqui?

— Era diretora de marketing. Pedi afastamento temporário depois do término.

— E mesmo assim ela entra como quer?

Ele passou a mão pelos cabelos, irritado.

— Ela ainda possui ações da empresa. Não é simples afastá-la.

Helena sentiu algo estranho no peito.

Ciúmes?

Não fazia sentido. Aquilo era um contrato.

Mas a ideia de Valentina ter feito parte da vida dele, de ter ocupado o espaço que agora ela ocupava… incomodava.

— Vocês ficaram juntos por quanto tempo? — ela perguntou, tentando soar casual.

Lorenzo a encarou.

— Tempo suficiente para perceber que não era o que eu queria.

— E o que você quer? — a pergunta escapou antes que ela pudesse impedir.

O silêncio se instalou.

Ele se aproximou devagar.

— Estabilidade. Controle. Nada que complique minha vida.

Helena sentiu o coração acelerar.

— Então eu sou apenas parte do controle?

Ele ficou muito perto agora. Perto demais.

— Você é parte do acordo.

A resposta deveria machucar.

Mas a forma como ele a olhava dizia outra coisa.

Os olhos escuros desceram lentamente até os lábios dela.

Helena percebeu.

O ar ficou pesado.

O mundo pareceu encolher ao redor deles.

— Isso não faz parte do contrato — ela murmurou.

— Não — ele respondeu, a voz mais baixa do que nunca.

Ele ergueu a mão, tocando levemente o rosto dela.

O gesto foi lento. Cuidadoso.

Perigoso.

Helena fechou os olhos por um segundo.

Se ele se inclinasse apenas alguns centímetros…

Mas o telefone tocou.

O som cortou o momento como uma lâmina.

Lorenzo se afastou imediatamente, recuperando a postura fria.

— Sim? — atendeu, firme novamente.

Helena deu um passo para trás, tentando controlar a respiração.

O que quase aconteceu ali não era parte do acordo.

E isso tornava tudo mais arriscado.

Quando ele desligou, o semblante estava tenso.

— A imprensa publicou fotos do jantar. Valentina está ao fundo em algumas imagens.

Helena sentiu o estômago revirar.

— O que isso significa?

Ele a encarou.

— Significa que a guerra começou.

E, pela primeira vez, Helena entendeu que o contrato não os protegeria do que estava por vir.

Muito menos do que começava a nascer entre eles.

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