— Outra Clara — eu disse rápido. — Completamente outra. Nada a ver com essa. Eu conheço muitas Claras. Pelo menos umas… cinco.
Clara arregalou os olhos para mim com a energia de quem queria me teletransportar para longe dali.
Cinco, Mareu. Você escolheu cinco. Nem três. Nem duas. Cinco. Como se você morasse num condomínio de Claras.
Logan franziu a testa, no modo planilha. Não era um franzir de testa normal. Era um “isso não fecha” corporativo.
Henrique, ao contrário, parecia feliz. Não feliz com a confusão — feliz com a existência dela. Como se aquela fosse a sobremesa.
— Cinco Claras? — Logan repetiu, com um sorriso de canto. — Isso é quase uma estatística.
— É um… fenômeno social — eu disse, tentando soar casual. — Nome muito comum de uma geração, sabe.
Clara emitiu um som estranho, algo entre risada e pedido de socorro.
— Mareu… — ela tentou.
— Enfim — eu interrompi, porque quando eu fico nervosa eu viro apresentadora de telejornal e começo a organizar a tragédia ao vivo. — Clara