Henrique estava parado perto da nossa mesa como se tivesse acabado de sair de um comercial de café caro.
E eu soube. Soube do jeito mais cruel possível: do jeito que a sua alma sabe as coisas antes de você ter tempo de fingir.
Ele tinha ouvido.
O “Logan Novak é um puta de um gostoso” ainda estava ecoando dentro da minha cabeça como se eu tivesse gritado no microfone do restaurante inteiro.
Eu peguei a taça de vinho como quem agarra um colete salva-vidas e tomei um gole grande demais, rápido demais, com a elegância de uma gazela desesperada.
O vinho foi direto pro lugar errado.
Eu engasguei.
Tossi.
E aquele som saiu alto o suficiente pra virar um anúncio: “Boa tarde, eu acabo de falar bobagem e agora estou morrendo por dentro.”
Henrique inclinou a cabeça, educado, como se ele não tivesse acabado de testemunhar a minha humilhação pública.
— Tá tudo bem?
Eu balancei a cabeça afirmativamente, ainda tossindo, como se isso resolvesse.
— Tá — eu consegui dizer. — Eu só… esqueci como se bebe