253. Acima do Medo
Lúcia Donovan
O barulho das turbinas vinha como um mar ao longe, constante, embalando o corpo do Samuel enquanto ele mamava. Eu estava com ele no colo, a manta leve cobrindo os pés, e sentia a boca pequena dele puxando, ritmada, como se o leite fosse a única verdade do mundo. A cabine tinha aquele cheiro misto de tecido novo e ar filtrado, as luzes em tom morno, quase um entardecer particular. A Eliza, no assento em frente, desenhava nuvens no caderno com o urso de sentinela. “Essa é a nuvem nú