A porta ainda estava aberta quando ela entrou. Não bateu. Não pediu licença. Não olhou primeiro para mim. Entrou como quem já conhece cada centímetro daquele lugar.
O som dos saltos ecoou pela sala com um ritmo seguro demais para ser casual. Alto. Preciso. Territorial. Antes mesmo que eu levantasse o olhar, senti o impacto da presença — não pela beleza em si, mas pela certeza absoluta de que aquela mulher não precisava se anunciar para existir ali.
— Dante.
Ela disse o nome dele como quem reivindica algo que nunca deixou de ser seu.
Só então olhei mais profundamente e me senti ainda menor.
Loira. Elegante. O tipo de mulher que não precisa sorrir para ser notada. Vestia-se como alguém que viaja muito, frequenta lugares caros, e nunca espera. O olhar percorreu o ambiente rapidamente, calculando. Parou em mim por um segundo a mais do que o educado. Avaliação fria. Não curiosidade. Medição.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou.
O sr. Herrera, que agora eu sabia o seu primeiro nome,