HELEN
O carro da clínica cheira a antisséptico e desespero.
Os bancos são de couro frio, as janelas são gradeadas, o motorista não fala. Dois enfermeiros estão ao meu lado, em silêncio. Eles não precisam me segurar. Não vou fugir. Não tenho mais para onde ir.
A cidade passa lá fora. As luzes, as ruas, as pessoas. Tudo tão distante. Tudo tão... irrelevante.
Fecho os olhos.
André.
Ele poderia ter me entregado para a polícia. Poderia ter me deixado apodrecer numa cela. Poderia ter me destruído com