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Capítulo 6: O Arquiteto das Sombras

POV: Maya (Dois dias atrás)

Dois dias atrás, a atmosfera na mansão Thorne mudou de fria para sufocante.

Alaric não disse uma palavra enquanto me arrastava em direção às saídas de serviço, seus dedos cravando em meu braço. Mas, quando alcançamos as pesadas portas de ferro que levavam ao transporte, uma sombra surgiu em nosso caminho.

— Isso é desnecessário, Alaric — disse Silas, sua voz suave, mas carregada com um raro traço de tensão. Ele olhou para o meu rosto pálido e depois voltou-se para o irmão. — O Conselho espera que ela permaneça sob prisão domiciliar, não que desapareça na calada da noite. Se você a mover agora, estará convidando o próprio caos que afirma querer evitar.

Meu pai parou, uma risada sombria e irregular escapando de sua garganta. Ele se aproximou de Silas; os dois irmãos pareciam estátuas de gelo e pedra.

— O Conselho quer um peão, Silas. Eu quero uma vitória — sibilou Alaric. Ele se inclinou, sua voz caindo para um sussurro letal. — E não se dê ao trabalho de procurar as coordenadas. Nem mesmo você, irmão, saberá para onde a estou levando. Neste jogo, a informação é um vazamento que não posso me permitir. Você ficará aqui e lidará com as consequências quando o cão do Norte vier latir para uma gaiola vazia.

A mandíbula de Silas travou, seus olhos cinza-prateados brilhando com uma mistura de frustração e aviso, mas ele se afastou. Ele estava impotente contra a obsessão de Alaric.

Alaric me empurrou para a parte de trás do transporte blindado. Através do vidro fumê, vi os Executores terminando seu trabalho sombrio — não instalando bombas letais, mas montando emissores de estroboscópio e disruptores sônicos de alta frequência. Dispositivos feitos para estilhaçar o foco de um lobo e forçar uma transformação involuntária e agonizante.

— Eu não vou matá-lo, Maya — sussurrou Alaric enquanto subia ao meu lado. — Quero que ele perceba que um "Alfa" Blackwood não passa de um cachorro perseguindo o próprio rabo. Ele ficará paralisado no meu jardim, implorando por um cheiro que não existe mais, enquanto estaremos a milhas de distância, nas nuvens.

Enquanto o motor rugia e iniciávamos a longa subida em direção à torre de vigilância envolta em névoa na Cordilheira do Sul (Grey Ridge), olhei de volta para a mansão. Não era mais uma fortaleza. Era uma isca, e Killian estava correndo direto para as suas presas.

POV: Killian

Do lado de fora, pelo estreito vão entre as árvores, a propriedade dos Thorne parecia quase pacífica. Como muito de seu legado, a mansão fora projetada como uma prisão elegante, com uma fonte cintilante, colunas esculpidas e caminhos de mármore. Uma fachada bem lubrificada que escondia um interior vazio de jogos de poder e repressão.

A aproximação silenciosa de Cassian me tirou da fúria. Ele sinalizou algo, sua boca em uma linha tensa de estresse na escuridão. Arrastei-me para frente para me juntar a ele na sombra de um coreto de pedra perto do muro principal.

— Há movimento no lado leste da propriedade — sussurrou ele, verificando o bocal silenciado de seu rifle.

Através do som da água da fonte, eu podia ouvir o murmúrio de passos se aproximando. Mas, enquanto eu preparava minha arma, um estalo cheio de estática soou em meu fone de ouvido.

— Alfa, mantenha sua posição — a voz de Jax veio, baixa e grave. Ele estava empoleirado em uma crista com vista para a ala norte, suas ópticas térmicas vasculhando a pedra. — Algo não faz sentido. Tenho assinaturas de calor nos corredores, mas estão estáticas demais. Eles não estão patrulhando como guardas. Estão parados como estátuas.

— Ele tem razão — interveio Vane pelo flanco oeste, sua voz tensa de suspeita. — Estou olhando para a rede elétrica do perímetro. Há uma sobrecarga massiva correndo pelas linhas de irrigação do gramado. A menos que Alaric esteja planejando eletrocutar a grama, esses canos estão carregando outra coisa.

Estreitei os olhos, olhando para os azulejos de mármore imaculados. O "Zumbido Metálico" em minha cabeça disparou, um sino de advertência batendo contra meu crânio. Meu lobo andava de um lado para o outro atrás das minhas costelas, arreganhando os dentes para o silêncio opressor da mansão.

— Cassian — sussurrei, minha mão pairando sobre o sinalizador. — Você sente o cheiro dela? Além dos pinheiros e da pedra... você a sente?

Cassian inclinou a cabeça, suas narinas dilatando-se ao captar o vento. Sua expressão mudou do foco tático para uma realização súbita e arrepiante. — Está limpo demais, Killian. Não há cheiro de uma Ômega assustada. Nenhum cheiro de sangue. Apenas... ozônio e produtos químicos.

Antes que eu pudesse ordenar uma retirada, a fonte no centro do pátio morreu abruptamente. O silêncio que se seguiu foi pesado, um peso físico que pressionava meus tímpanos.

— Jax, Vane, recuem... — comecei, mas o comando foi interrompido.

Um zunido agudo, quase além do alcance da audição humana, mas agonizante para um lobisomem, rasgou o ar. Os azulejos de mármore sob nossos pés começaram a vibrar.

O zunido intensificou-se, vibrando não apenas em meus ouvidos, mas na própria medula dos meus ossos. Senti meu lobo saltar para frente, desesperado para rasgar minha pele e escapar do ataque sônico. Minhas articulações estalaram, minha coluna começando a arquear enquanto a transformação involuntária me agarrava.

Ao meu lado, Cassian caiu de joelhos, um rosnado sufocado escapando de sua garganta enquanto seus olhos oscilavam violentamente entre castanho e dourado.

— Alfa... não consigo... segurar... — ele arquejou, suas garras cavando sulcos nos azulejos de mármore.

— Fique no chão! — rugi, o som soando mais como o uivo de uma fera do que como a voz de um homem.

A dor era um ferro em brasa atrás dos meus olhos. Cada instinto me dizia para ceder, para deixar a transformação acontecer para que a dor adormecesse. Mas se eu me transformasse agora, perderia a destreza das minhas mãos. Eu seria uma fera presa em uma gaiola de som.

Usando o "Zumbido Metálico" em minha cabeça como um escudo, foquei na sobrecarga que Vane mencionara. Ignorei o sangue começando a escorrer dos meus ouvidos e me lancei em direção ao coreto de pedra. Escondida atrás de um pilar decorativo estava a caixa de junção — o coração da frequência sônica.

Meus dedos pareciam chumbo, minhas unhas já se transformando em garras enquanto eu arrancava a tampa de metal. Os fios trançados em prata sibilaram ao meu toque, queimando minha pele, mas eu não me importei. Segurei o condutor principal e o arranquei com um grito gutural de fúria pura e absoluta.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

A vibração parou. As luzes estroboscópicas morreram. Desabei contra a pedra, meu peito arfando, lutando para forçar o lobo de volta para baixo da minha pele. Minhas mãos estavam queimadas, minha visão embaçada, mas o ar estava imóvel.

Então, um clique ecoou pelos alto-falantes ocultos do pátio. Não era um rosto; era apenas uma voz — fria, calculada e aterradoramente calma.

— Impressionante, Killian — a voz de Alaric trovejou, ecoando nas paredes vazias de mármore. — Seu pai teria se orgulhado dessa teimosia. Mas olhe ao seu redor. Você lutou tanto para invadir um túmulo. Realmente achou que eu deixaria meu maior trunfo em um lugar que você já contaminou?

Uma risada seca e zombeteira seguiu-se. — Ela não está aqui. Ela está em algum lugar onde o sol não alcança e suas preces não seguirão. Vá para casa, lobozinho. Cada passo que você dá em direção a ela é um passo em direção ao fim dela. Eu já a ensinei a se esconder... vamos ver se a ensinei a esquecer você.

Os alto-falantes desligaram com um estalo seco. A mansão era uma casca oca mais uma vez e, pela primeira vez na minha vida, senti a fria constatação de que eu estava caçando um fantasma.

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