O salão Montenegro estava no auge da exuberância. Violinos afinados. Luzes douradas nas paredes.Cristais brilhando como se tivessem vida.
Até que—
O SOM DO MICROFONE ECOOU.
O locutor do evento — voz grave, pausada, aquele tom digno de cerimônia real — anunciou:
— Senhoras e senhores… por favor, dirijam sua atenção ao palco principal. Daremos início à abertura oficial do Baile Anual Montenegro.
Os músicos silenciaram.
As conversas cessaram.
As luzes mudaram, iluminando o palco.
E então…
AUGUSTO MONTENEGRO subiu ao centro.
O patriarca.
O homem que parecia ter sido esculpido do mesmo mármore que sustentava a mansão inteira.
Terno impecável.
Cabelo grisalho perfeitamente penteado.
Sobrancelhas arqueadas num ar de realeza natural.
Ele ergueu as mãos, pedindo silêncio:
— Boa noite a todos.
O público respondeu com aplausos moderados — respeitosos, mas carregados de expectativa.
Augusto continuou:
— Este baile representa tradição, família e continuidade. — disse, em tom cerimonial. — Por déca