Valentina ficou parada no meio do salão como se o chão tivesse sumido por um instante.
Rafael se afastara sem olhar para trás.
Ela respirou fundo, tentando reorganizar os pensamentos, mas o salão Montenegro parecia ter virado um oceanário de tubarões famintos.
Sussurros.
Olhares.
Fofocas embaladas em perfume caro.
Valentina ergueu o queixo, impecável, mesmo quebrada por dentro.
E então—
Uma voz atrás dela:
— Senhora Montenegro… me daria a honra de uma dança?
Valentina girou.
E quase chorou.
Bianca.
Linda, atrevida, com um vestido verde esmeralda que fazia metade do salão recalcular rota.
Os olhos brilhavam.
O sorriso dizia:
“Amiga, eu vi tudo e estou aqui.”
Valentina soltou o ar que nem sabia que estava prendendo.
— Bianca…
A amiga abriu os braços.
— Vem cá, meu amor. Senão eu te arranco dessa máscara no tapa.
Elas se abraçaram forte — aquele abraço que não pede permissão, que sustenta, que ancora.
Bianca afastou um pouco o rosto, avaliando Valentina de cima a baixo.
— Amiga… você est