No carro, o silêncio inicial não foi incômodo. Valentina observava a cidade passar pela janela, reparando em coisas que parecia não ver havia semanas: gente saindo de escritórios, crianças na calçada com uniforme escolar, uma mulher discutindo ao telefone com veemência no sinal, um homem vendendo balões no canto da rua.
A vida seguia.
Indiferente.
Isso sempre doía um pouco.
Quando percebeu para onde estavam indo, virou o rosto lentamente para Enzo.
— Shopping?
— Não faz essa cara. Você parece q