Dois dias tinham passado desde a sentença, e o tempo dentro daquele quarto parecia ter perdido a utilidade.
A luz da manhã vinha e ia. As refeições chegavam e desapareciam em bandejas quase intocadas. O relógio avançava, mas Valentina continuava deitada como se o corpo tivesse decidido parar enquanto o resto do mundo insistia em seguir. Às vezes dormia por cansaço, às vezes por efeito do remédio, às vezes apenas fechava os olhos e permanecia imóvel, encarando por dentro tudo aquilo que ainda nã