Ali estava ele. O homem que lia seus silêncios como quem lia balanços financeiros. O homem que percebia mudanças na cadência de sua respiração antes mesmo que ela escolhesse as palavras. O homem que, mesmo sem vê-la, já sabia que alguma coisa havia saído do eixo.
Ela engoliu em seco, odiando o alívio que a voz dele sempre provocava.
— Trabalhando até tarde — respondeu, e a própria mentira soou mais frágil do que gostaria.
Do outro lado, silêncio.
Rafael Montenegro tinha muitas formas de ameaça.