Capítulo 20 — A Raposa e o Dragão

A manhã seguinte nasceu cinza.

Não daquele cinza preguiçoso de garoa paulista.

Mas o cinza corporativo, o cinza de vidro, concreto e poder.

O prédio do Grupo Montenegro parecia mais uma fortaleza futurista do que uma empresa.

Espelhado, imenso, silencioso — cada andar uma sentença.

Cada elevador, um julgamento.

E no último andar…

o dragão esperava.

Rafael estava sentado atrás da mesa de madeira maciça, o terno preto impecável, a gravata ligeiramente afrouxada — não por desleixo, mas porque ele não precisava parecer perfeito para intimidar.

Ele era intimidação.

A tela à sua frente mostrava dados, relatórios, projeções.

Mas ele não estava lendo nada.

O olhar estava vazio, preso no reflexo do vidro da janela — o reflexo de um homem que tinha atravessado uma noite inteira pensando em Valentina, mas nunca admitiria isso nem sob tortura.

Uma batida seca na porta.

Moreira entrou, rígido, tenso, o tipo de tensão que só aparece quando alguém muito perigoso está para cruzar um limite.

— Senhor
Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App