A manhã seguinte nasceu cinza.
Não daquele cinza preguiçoso de garoa paulista.
Mas o cinza corporativo, o cinza de vidro, concreto e poder.
O prédio do Grupo Montenegro parecia mais uma fortaleza futurista do que uma empresa.
Espelhado, imenso, silencioso — cada andar uma sentença.
Cada elevador, um julgamento.
E no último andar…
o dragão esperava.
Rafael estava sentado atrás da mesa de madeira maciça, o terno preto impecável, a gravata ligeiramente afrouxada — não por desleixo, mas porque ele não precisava parecer perfeito para intimidar.
Ele era intimidação.
A tela à sua frente mostrava dados, relatórios, projeções.
Mas ele não estava lendo nada.
O olhar estava vazio, preso no reflexo do vidro da janela — o reflexo de um homem que tinha atravessado uma noite inteira pensando em Valentina, mas nunca admitiria isso nem sob tortura.
Uma batida seca na porta.
Moreira entrou, rígido, tenso, o tipo de tensão que só aparece quando alguém muito perigoso está para cruzar um limite.
— Senhor