O Clube Imperial fervilhava com risos vazios, taças tilintando e o cheiro caro de um lugar que existia apenas para ostentar poder.
Rafael atravessava o saguão ao lado de Lucas, rumo à sala VIP — o refúgio silencioso que ele usava como trincheira — quando o amigo explodiu do nada:
— Rafael… você não vai acreditar. — Lucas começou, indignado, como se carregasse um trauma recente. — Meus pais me armaram um encontro às cegas hoje. E, meu Deus do céu, aquilo foi um desastre nuclear.
Rafael continuou andando, impassível. — Não me interessa.
Lucas ignorou por completo.
— Ela chegou com um óculos de FUNDO DE GARRAFA, Rafael. — repetiu, gesticulando. — Daqueles que você enxerga até a alma da pessoa se olhar muito tempo. Quase tive um infarto.
Nenhuma reação.
— E ainda pediu um chá gelado num restaurante italiano! Chá gelado! — Lucas jogou as mãos pro alto. — Quem faz isso?! Quem não bebe vinho num encontro?!
Silêncio.
— E pra piorar… — Ele fez uma pausa dramática, sentindo a própria indignação