Valentina acordou antes do despertador.
Na verdade… nem tinha dormido direito.
Tomou banho, prendeu o cabelo num coque firme, passou a maquiagem leve que Clara tanto exigia — e vestiu um conjunto discreto, elegante, mas com um toque dela, como quem tenta colocar um pouco de alma naquilo que estavam arrancando.
Quando Clara abriu a porta do quarto sem bater, esperando vê-la desgrenhada, atrasada, desorganizada, tropeçou na própria expectativa.
Valentina estava pronta.
Erguida.
Serena.
Impecável.
Clara parou no batente, os olhos percorrendo de cima a baixo — procurando algo para criticar, algo fora do lugar, algo errado.
Nada.
Valentina arqueou uma sobrancelha.
— Algum problema? — perguntou, com voz suave, quase educada, mas carregada de ironia fina.
Clara crispou os lábios.
— Não. — respondeu seca.
Valentina passou por ela, sem tocá-la.
— Ótimo. Feche a porta quando sair. — disse, sem olhar para trás.
Clara ficou alguns segundos parada no corredor, mordendo a própria raiva, antes de ob