CAPÍTULO 29 — O olhar que ninguém vê.
A sala de reuniões do Grupo Montenegro estava quieta demais.
Rafael não tinha dormido.
Nem um minuto.
O corpo dele estava ali, mas a mente… presa em outra cena:
Valentina ardendo em febre.
Valentina na piscina afundando.
Valentina tremendo enquanto sussurrava “cinco milhões… eu não consigo…”
Valentina segurando sua camisa até apagar.
Cada vez que ele piscava, voltava o som da respiração dela falhando.
O investidor asiático encerrou a apresentação, todos começaram a recolher laptops, mas Rafael sequer ouviu o final.
Ele abriu o tablet.
Clicou no ícone da câmera do quarto de Valentina.
A imagem abriu.
O quarto estava escuro.
Quieto.
Imóvel.
E aquilo não era bom.
Ele ligou imediatamente.
Clara atendeu com a voz dura, ensaiada.
— Senhor?
— Como está a senhora Montenegro?
Uma pausa. Desnecessária.
Ridícula.
— Está no quarto, senhor. Descansando. Deixamos uma canja para ela… e um chá.
Rafael recostou na cadeira, a expressão fechada.
— Ela comeu?
Mais uma pausa. O que irritou ainda mais.
— N