O salão principal da mansão Montenegro parecia ter sido desenhado para intimidar.
Valentina entrou de volta como quem pisa em território inimigo.
Ela caminhou até uma mesa lateral, serviu um pouco de água e observou o ambiente.
As mulheres estavam reunidas ao redor de Isabella Moretti como discípulas diante de uma santa cuidadosamente maquiada.
Isabella falava sobre moda, viagens, exposições, jantares em Paris, a Vogue, os fotógrafos preferidos, com quem tinha feito parceria, quais eventos fechados iria abrir na próxima temporada.
E aquelas mulheres penduravam elogios como joias no colar dela.
— Isabella, querida, aquela campanha que você fez em Milão foi divina!
— Seu vestido na gala de Veneza… eu fiquei encantada.
— Você nasceu para essa vida!
Valentina observava de longe.
Tinha a consciência aguda de que era invisível.
Mas invisível por escolha deles — não por incapacidade dela.
No canto oposto do salão, os homens discutiam números astronômicos, fusões internacionais, mercado europ