A casa de Vittória Montenegro não tinha cheiro de lar.
Tinha cheiro de limpeza impecável, madeira cara e silêncio comprado.
Do lado de fora, São Paulo seguia barulhenta, suada, viva.
Ali dentro, até o ar parecia se comportar.
As luzes eram baixas. As cortinas, pesadas. Os quadros, antigos demais para admitir modernidade.
E Vittória… Vittória era o tipo de mulher que não se permitia nada fora do controle.
Até aquela noite.
A campainha tocou uma única vez.
O segurança abriu.
Clara entrou com o ca