Valentina acordou com dificuldade para entender onde estava.
Não foi um despertar brusco.
Foi lento. Arrastado. Como se a consciência estivesse sendo puxada de volta para o corpo à força, centímetro por centímetro.
O primeiro sentido a voltar foi o som.
Vozes.
Muitas.
Graves. Rápidas. Cortadas por risadas curtas que não tinham humor nenhum. O idioma era familiar e, ao mesmo tempo, completamente inacessível. Japonês. Fluente demais. Cruel demais para ser casual.
Ela tentou se mover.
O corpo respondeu com um peso estranho, como se os músculos ainda estivessem atrasados em relação ao pensamento. A cabeça latejava. Um gosto amargo persistia na boca.
Valentina abriu os olhos.
A luz era fraca. Amarelada. Industrial.
O teto alto demais para ser um quarto. Concreto cru. Tubulações expostas. Uma lâmpada pendurada por fios aparentes, oscilando levemente, projetando sombras irregulares nas paredes.
Um galpão.
A palavra surgiu clara demais na mente.
Ela estava sentada em uma cadeira de metal, fri