O tiro ainda ecoava pelo galpão. Valentina fechou os olhos no reflexo puro do instinto, o corpo inteiro se preparando para a dor que viria. O impacto. O fim. O momento exato em que tudo apagaria.
Mas a dor nunca chegou.
O segundo seguinte foi estranho demais para ser real.
Silêncio dentro dela. Um vazio desconcertante. O corpo inteiro esperando algo que não vinha.
Quando abriu os olhos, o homem à sua frente já não estava de pé.
Ele se curvava de forma errada, como se o próprio corpo tivesse esquecido como se sustentar. A expressão de controle tinha desaparecido, substituída por um espanto quase infantil. O terno caro começava a se manchar, o vermelho se espalhando de forma lenta demais para algo que havia acontecido tão rápido.
Ele caiu.
O som do corpo atingindo o concreto atravessou Valentina como um choque tardio.
O mundo pareceu girar.
Ela respirou fundo — um soluço involuntário — ainda sem entender por que continuava respirando. O coração batia rápido demais, como se estivesse ten