O campo seguia em seu ritmo próprio. Tacadas espaçadas. Passos contidos sobre a grama impecável. O som seco do taco encontrando a bola e, logo depois, o silêncio voltando a ocupar tudo. O sol da manhã já estava mais alto, refletindo nos lagos artificiais e recortando sombras longas sobre o verde.
Valentina caminhava com atenção redobrada.
Não pelo jogo — ainda estava longe de entender a lógica completa do golfe —, mas pelo terreno. O campo era lindo, sim, mas traiçoeiro em alguns pontos. Declives suaves demais para serem notados de imediato, grama aparada com perfeição suficiente para enganar qualquer passo distraído.
Ela se afastou alguns metros para observar a próxima jogada.
Foi rápido.
O pé escorregou no ponto exato onde o gramado encontrava uma leve inclinação. O corpo perdeu o eixo por um segundo — curto demais para gritar, longo o suficiente para o susto atravessar o peito.
Valentina sentiu o chão fugir.
E então… não caiu.
Um braço firme envolveu sua cintura. Outro segurou seu