Início / Romance / Casamento por Contrato com o Mafioso / CAPÍTULO 1 — AUDREEN GONÇÁLEZ — A DESPEDIDA DE SOLTEIRA.
CAPÍTULO 1 — AUDREEN GONÇÁLEZ — A DESPEDIDA DE SOLTEIRA.

Hoje é o último dia da minha vida como Audreen livre. Amanhã, às 16h, estarei vestida de noiva, caminhando pelo corredor de uma igreja que nem escolhi, ao lado de um homem que mal conheço, para me tornar esposa de um mafioso nova-iorquino que meu pai escolheu. Um velho — ou pelo menos é o que imagino quando penso nele: um homem grisalho, de terno caro, mãos frias e olhos que só veem poder e herdeiros. Meu pai diz que é “o melhor para a família”. Eu digo que é o fim da minha vida.

Estou sentada no jardim da casa, o sol começa a se pôr e a brisa suave balança as folhas das árvores ao nosso redor. Minha melhor amiga, Carmen, está ao meu lado, seus olhos brilhando de preocupação enquanto desabafo sobre o pesadelo que se torna minha vida. O jardim parece um refúgio de paz neste momento. As flores exalam um perfume suave e os pássaros cantam suas melodias vespertinas. Sinto uma conexão profunda com a natureza ao meu redor e, por um instante, todos os meus problemas parecem menores. Respiro fundo, colhendo um pouco de paz que ainda tenho, antes de tudo mudar amanhã e uma nova vida começar, me despedindo deste lugar, da minha casa.

Nós duas ficamos em silêncio, apreciando a serenidade do entardecer. O mundo continua a girar, mas neste pequeno canto do jardim, tudo está em perfeita harmonia.

— Não posso acreditar que se casará amanhã — diz Carmen, segurando minha mão com força. — Sabíamos que uma hora isso poderia acontecer, mas não tão cedo e tão rápido, Audreen. Um casamento arranjado com um homem que você mal conhece, e ainda por cima, um velho!

Suspiro, sentindo o peso da situação esmagar meu peito.

— Não sabemos se é um velho — respondo, voz baixa. — Mas pelo jeito que meu pai fala sobre ele… “um homem de posição”, “alguém que trará estabilidade”… parece que tem o dobro da minha idade. E eu não consigo imaginar minha vida ao lado desse tal homem. Não entregarei minha virgindade para esse tal inglês, nem pensar.

Carmen aperta minha mão com mais força, seu olhar determinado.

— Você não precisa fazer nada contra sua vontade, Audreen. Precisamos encontrar uma maneira de você sair dessa. Talvez possamos falar com sua mãe ou algum parente que possa te ajudar.

Balanço a cabeça, tentando manter a compostura.

— Minha mãe está tão submissa quanto ele. Ela não vai me ajudar. Meu pai é um Capucha. Ele prefere matar a própria filha do que ser um líder mafioso que não consegue colocar ordem em sua própria casa.

Carmen me puxa para um abraço, suas palavras sussurradas no meu ouvido como um bálsamo para minha alma aflita.

— Sinto muito, Audreen. Fico sonhando com uma vida diferente da nossa, com pais que não tenham o dever de lealdade e honra com a máfia, onde não somos obrigadas a ter nosso casamento arranjado por eles, sem podermos fazer nada.

— Tenho um plano — digo baixo para minha melhor amiga, voz quase um sussurro. — E você irá me ajudar. Não posso fugir desse casamento, mas meu esposo terá uma surpresa na nossa noite de núpcias.

— O que você irá fazer? Audreen… — ela se afasta e me olha desconfiada, olhos arregalados.

— Meu pai prometeu a ele uma virgem, mas não será isso que ele terá. Não entregarei minha virgindade para um velho asqueroso.

Ela me encara em choque absoluto.

— Isso ele não poderá tirar de mim.

— E o que pensa em fazer? — ela pergunta, voz trêmula.

— Primeiro faremos a minha despedida de solteira — digo, piscando para ela com um sorriso perigoso.

— Mas seu casamento é amanhã à tarde! — exclama Carmen, quase gritando.

— Que bom que ainda temos o hoje — respondo, me levantando da cadeira do jardim e estendendo a mão para ela. — Vamos.

Entro na casa com Carmen no meu encalço, subimos as escadas correndo até meu quarto. Fecho a porta com chave, abro o armário e começo a separar roupas: um vestido preto justo, salto alto, maquiagem pesada, perfume forte. Carmen me ajuda, ainda chocada, mas já entrando no ritmo.

— Você vai mesmo fazer isso? — pergunta ela, enquanto passo batom vermelho escuro.

— Vou. Se meu pai quer me entregar como mercadoria intocada, eu vou chegar lá usada. Ele não vai ter o que prometeu. E eu vou ter a única coisa que ainda posso controlar: minha escolha.

Ligamos para mais algumas amigas — as poucas em quem confio —, e marcamos no bar mais badalado da cidade. Chegamos lá às 22h. O lugar está lotado, música alta, luzes piscando em ritmo frenético. Eu me sinto viva pela primeira vez em meses. Olho ao redor, sentindo uma pontada de nostalgia por estar em minha terra natal, no México, sabendo que amanhã estarei partindo para Nova York com um homem que mal conheço e que lidera a máfia nova-iorquina. Se fosse em outras circunstâncias, até estaria animada em conhecer uma das cidades mais famosas dos Estados Unidos.

— Vamos brindar à liberdade! — grita Carmen, levantando seu copo de tequila.

Todas nós nos juntamos a ela, brindando e rindo, mas no fundo meu coração está pesado. “Eu preciso colocar o meu plano em prática”, penso, enquanto sinto o sabor forte da bebida descer pela minha garganta. Avisto o meu alvo do outro lado do bar: alto, ombros largos, terno escuro bem cortado, cabelos castanhos claros, olhos azuis-acinzentados que brilham sob as luzes. Ele está com amigos, rindo, mas algo nele me atrai imediatamente — talvez a postura, talvez o jeito que ele olha ao redor como se fosse dono do lugar.

Eu me aproximo, sorriso calculado, corpo balançando no ritmo da música.

— Olá, rapazes! — digo, voz alta o suficiente para ser ouvida por cima da batida.

Ele se vira para mim. Seus amigos saem de perto discretamente, como se soubessem que o jogo mudou. Ele me encara, um sorriso lento se abrindo no rosto — covinhas aparecendo, olhos escurecendo de interesse.

— Não vai me oferecer uma bebida? — pergunto, inclinando a cabeça.

Ele ri baixo, voz grave e rouca.

— Claro. O que você gostaria?

— Uma cerveja está bom para mim — respondo, tentando manter a calma enquanto meu coração b**e acelerado no peito.

Ele faz um sinal para o barman e logo duas cervejas geladas aparecem à nossa frente. Pegamos nossas bebidas e nos dirigimos a um canto mais tranquilo do bar.

— Então, estava se divertindo? — ele pergunta, olhos brilhando de curiosidade.

— Ainda não — respondo com um sorriso. — Mas espero que o cavaleiro possa me ajudar nisso.

Ele ri de novo, aquele som grave que me faz arrepiar.

— Posso tentar.

Conversamos por alguns minutos — nada profundo, só flerte, risadas, toques leves. Ele não pergunta meu nome. Eu não pergunto o dele. Perfeito. Não precisamos saber os nomes um do outro para que ele me leve para a cama. Essa noite será a única noite que nos veremos.

Ele me convida para dançar. Eu aceito rindo. A batida da música é lenta, sensual. Nossos corpos se colam. Sua mão grande e firme na minha cintura, a outra na base das minhas costas. Balançamos ao ritmo, respirando o mesmo ar. Sinto seus lábios tocarem a curva do meu pescoço, espalhando arrepios pela minha pele. Fecho os olhos e me deixo levar.

A música muda para uma balada mais lenta, e nossos movimentos se tornam mais íntimos. As luzes ao nosso redor parecem cintilar em um ritmo próprio, criando um ambiente mágico. Sou virada para ficar de frente para ele e abro os olhos por um instante — e vejo. Não é mais o cara que chamei para dançar. Ele tem cabelos castanhos claros, usa ternos caros e bem alinhados. A pele é branca como a neve. Seus olhos são pequenos e azuis-acinzentados. Vejo o brilho nos olhos dele, refletindo a intensidade do momento. A barba é curta e bem aparada. Ele é ainda mais lindo do que o cara anterior.

Cada segundo parece eternizar-se enquanto dançamos juntos, desenhando uma coreografia única e irrepetível. A conexão entre nós é palpável, quase como se nossos corpos e almas conversassem em uma linguagem secreta, compreendida apenas por nós dois. O mundo exterior desaparece, e tudo o que importa é essa dança, esse momento, e a promessa de uma noite inesquecível e agitada, em uma cama em meio aos lençóis bagunçados.

Sinto o calor de suas mãos na minha cintura, e a forma como ele me guia com tanta suavidade me faz esquecer de tudo ao redor. A música parece ter sido feita só para nós, cada nota ressoando em nossos corações, tornando cada passo mais significativo.

Ele se inclina ligeiramente e sussurra algo no meu ouvido, mas suas palavras são abafadas pela melodia e pelo meu próprio batimento cardíaco acelerado. No entanto, não preciso ouvir para entender; o brilho em seus olhos e o sorriso suave em seus lábios dizem tudo.

A noite avança, e a música muda novamente, mas continuamos dançando, como se estivéssemos em nosso próprio mundo, onde o tempo não existe. O salão ao nosso redor se enche de outras pessoas, mas nenhuma delas parece importar. Estamos apenas nós dois, perdidos em um momento de pura magia e conexão.

Quando a última nota da música finalmente ecoa, ele me puxa para mais perto, nossos rostos a centímetros de distância. Sinto sua respiração quente contra minha pele, e por um instante, o mundo inteiro parece prender a respiração. E então, ele me beija. Um beijo lento, profundo, que promete muito mais do que palavras jamais poderiam dizer. Mas eu preciso dele. Apenas por essa noite. Por essa noite, o deixarei tomar de mim tudo o que ele quiser. Esta noite serei dele.

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