Narrado por Ruth
Estou tentando ficar otimista por minha irmã. Pelo meu pai e por Luciano. Estou realmente tentando. Mas está ficando cada vez mais difícil conforme o tempo passa, como se cada dia arrancasse um pouco mais da força que tento segurar.
Há quatro semanas ela está assim. Imóvel, exceto quando as enfermeiras a movem de um lado para o outro. A expressão sempre a mesma, intocável, distante. A barriga continua crescendo, como se o corpo dela ainda estivesse lutando, mesmo quando a mente parece ausente. Eu nem sei se ela pode me ouvir. Tenho certeza de que pareço uma idiota para quem passa, falando sozinha, mas quero que ela saiba que estou aqui. Que estamos todos aqui. Que ninguém foi embora.
Arrasto a cadeira até perto da cama e me sento, segurando a mão da minha irmã com cuidado.
“Você pensaria que eles teriam uma cadeira confortável neste lugar. Juro que minha bunda parece madeira toda vez que saio daqui.”
Giro a aliança de casamento ao redor do dedo dela. Luciano levou o a