Santiago observa a pequena caixa com os anéis entre as mãos como se fosse uma relíquia e depois me encara com olhos que carregam exaustão. O cansaço dele é literal. Após anos na prisão ensinam ao corpo outra geografia. Mas o que mais me interessa não é o cansaço, é a advertência por trás dos olhos.
— E se não for conforme o planejado? Sua pergunta paira pesada no ar.
Há sempre o “e se”. O medo que assombra homens que brincam de divindade. Ele me conhece o suficiente para ver a minha resposta antes mesmo de pronunciá-la.
— Eu vou conseguir, digo. A palavra sai com a mesma tranquilidade com que se acende um fósforo.
— Vou até o fim.
Santiago pousa a tampa de volta sobre a caixa delicadamente. O anel de Rosália cintila por um segundo antes de desaparecer sob a madeira, e eu fico observando a luz morna refletir no metal. A cena tem algo de sagrado e de blasfemo ao mesmo tempo um homem prometendo um lar com uma mão e planejando uma ruína com a outra.
— Para sempre é muito tempo para se v