Mundo de ficçãoIniciar sessãoRômulo pensou nas opções: se deixasse ela ir embora, teria que enfrentar outra leva de candidatas, além da pirraça de sua filha e isso lhe daria uma grande dor de cabeça. Mas se a pressionar, teria a babá , a designer e a mulher.
Resolveu arriscar, confiava em seu “sexapeal” e que a indignação dela não duraria muito e poderiam se dar bem e tornar o casamento, real, então, provocou-a: — Você pode escolher, sai daqui como o bode expiatório, demitida por justa causa ou assinamos um contrato e você não só terá seu nome limpo, como receberá dois bons salários e uma vida de regalos ao meu lado. Melissa olhou séria para o homem, sem acreditar naquela proposta infame, mas a menina se mexeu em seu colo e pensou: ela parece tão boazinha e se apegou tanto a mim. O que posso perder com esse contrato? — Se eu tomar conta dela, como poderei trabalhar em meus desenhos? — Poderá trabalhar em casa. Bela fará quatro anos e irá para a escolinha. Você terá a comodidade de uma sala só para você e vários funcionários para servi-la. — E quanto às reuniões e eventos? — Nas primeiras semanas, é melhor você ficar afastada até tudo se acalmar, mas depois, poderá ir às reuniões semanais e aos eventos, irá comigo é claro. Melissa não compreendeu. Por quê era claro que iria aos eventos com ele? Seria babá de sua filha e não sua acompanhante. — Não me parece nada claro, pode explicar? — É simples, assinaremos um contrato com direitos e deveres, o contrato mais famoso do mundo: casamento, e um desses deveres será você me acompanhar. — Um contrato de casamento? Você é louco? Por que vocês, empresários, adoram contratos impossíveis? Nunca pensou com seriedade, em se casar, sempre esteve focada na carreira e em hipótese alguma, um casamento por contrato. Era como antigamente, os pais tratavam o casamento dos filhos por interesses financeiros. Os noivos, às vezes, nem se conheciam, era uma união contratual como o CEO queria fazer. — É uma garantia para ambos os lados, de que cumprirão suas obrigações. Como você irá morar comigo, é melhor para manter a nossa reputação ou a chamarão de amante. Assinaremos um contrato pré-nupcial com as cláusulas que os dois devem cumprir. Ele não via problema nenhum no que estava propondo, esquecendo completamente da parte emocional e íntima do casamento e que teriam que conviver sem nenhum dos dois se conhecer. — E quais serão essas cláusulas? — Quis saber ela, sem acreditar ainda que aquilo estava acontecendo. — Você pode dizer o que quer, meu advogado redigirá tudo conforme a nossa vontade, você lerá e assinará se concordar e eu também, é claro. Simples assim. — Para ele tudo era claro e simples. Melissa estava achando uma falácia da parte dele, ele usava a sua autoridade de CEO para manipulá-la, mas ela não tinha muitas opções, já que não conseguiu acesso aos vídeos de segurança. Sentiu-se chantageada. Moveu-se, pois a menina era pesada e seu braço doía. — Ela cansa, não é? Deixe-me levá-la para o anexo, enquanto isso, você pensa no assunto. Ele pegou a filha do colo dela e sentiu o perfume suave que ficou impregnado na roupa de Belinha. Retirou-se, rapidamente, para que ela não percebesse sua excitação. Esperava que ela aceitasse, pois o contrato nada mais era do que um casamento. Nunca havia sentido aquela atração por mulher alguma e não perderia isso por nada, pois era muito bom. Voltou e Melissa andava de um lado para o outro, com a cabeça prevendo diversas formas daquilo dar errado. O que ele podia fazer para ferrar com ela, mais do que ela já estava ferrada? Ouviu-o sair do anexo e percebeu, sem olhar, a sua aproximação. — Decidiu? — Terei que morar em sua casa? — Claro… — Para você é tudo claro, mas para mim, tudo escuro. Ele sorriu, adorando a personalidade combativa e o quanto ficava linda irritada. Sua maneira irônica de responder às suas provocações, o instiga a continuar provocando-a. Só que, no momento, precisava ser mais contido para que ela concordasse. — Se você assinar o contrato, cuidará de Bela em tempo integral, como se fosse sua filha. Claro que organizará o seu tempo e conseguirá fazer tudo, incluindo desenhar. — Isso não me parece um contrato de trabalho… — disse ela desconfiada. — Bem, é um contrato de casamento, mas não deixa de ser um contrato e manterá o contrato de trabalho. Ela se virou com rapidez e quase deu um encontrão nele, que a segurou pelos ombros, impedindo-a de cair. — Desculpe… — pediu ela, afastando-se, depois de sentir a reação positiva de seu corpo em resposta ao dele. — Você está bem? Prometo que vou tratá-la muito bem. Ela estava atordoada com o contrato e com a proximidade do homem. Prendeu a respiração por um momento, mergulhando no olhar profundo dele e inebriada com seu perfume másculo, respondeu em um impulso: — Está bem. — Está bem, concordo com o contrato ou está bem, estou bem? — perguntou ele, soltando-a, envergonhado por sua ereção. — Está bem, tudo. Só falta o salário, terei um, não é? Ela tinha que ter certeza que o tal contrato valeria a pena, não só para ele, mas para ela também. Até agora só viu trabalho e mais trabalho, alívio para o fardo dele e nenhum para o dela. — Ótimo, o salário será a soma do que já recebe, com o salário de babá. Sugere alguma regra especial? — Tudo conforme a lei, salário, horários, folgas, alimentação e moradia por sua conta. Quanto ao casamento… Ela ainda não aceitava o casamento, pois implicava em uma relação que ia muito além da relação entre patrão e empregado, mas as vantagens eram boas. — Agiremos como patrão e funcionária, só isso. — Ele quis tranquilizá-la, mas sua intenção real era envolvê-la por completo, até que ela estivesse em sua cama. — Tudo bem, então, eu aceito. — Vou ligar para o advogado e resolver tudo, quando os contratos estiverem prontos, levo para você assinar. — Leva? Como assim? Não vou ficar na empresa? — No momento é melhor você se afastar… — afastou-se para fazer a ligação — só um instante, por favor.






