Mundo de ficçãoIniciar sessãoA aparência de Melissa era impressionante, sua estatura mediana combinava perfeitamente com o terninho que usava. Seus cabelos rebeldes e pretos, eram a moldura que rodeavam seu rosto ovalado, o deixando mais apreciável. Uma boca muito, muito beijável, olhos grandes e negros como jabuticaba e até os oculos de grau com armação grande e escura, acrescentavam-lhe beleza.
Apaixonou-se à primeira vista. Rômulo olhava fixamente para Melissa até que ouviu um gemido que pareceu vir dela e então percebeu Belinha em seu colo, agarrando seu pescoço como se fosse sua tábua de salvação. — Então é aqui que você está, sua danadinha? — Estendeu as mãos para pegá-la, mas ela recusou, encolhendo-se nos braços de Melissa. — Eu não vou í cum você, papai. Ele olhou para Melissa e perguntou: — Quem é você? Mais uma das candidatas a babá? — eles haviam trabalhado juntos nos designers, mas era pelo computador e nunca se viram. — Sou Melissa Jones, designer. Fui chamada ao escritório. Ele franziu a testa, perguntando-se porque nunca tinha encontrado e descoberto aquela belezura. — Então, vamos ao escritório, tem muitos ouvidos aqui. — Pera, papai… — O que é Belinha? A menina olhou séria para Melissa e depois voltou a encarar o pai e cheia de ousadia, declarou: — Eu quero essa mamãe! Os dois adultos ficaram mudos, encarando a menina com os olhos arregalados. Levou quase um minuto para Rômulo despertar do choque e responder. — Ai, Belinhaaaa… ela não é sua mãe, é uma funcionária da empresa. Venha comigo. A menininha agarrou-se mais ao pescoço de Melissa, afastando-se das mãos do pai. — Não! Quero essa, só essa. — Desculpe, senhorita Jones. Vamos para o escritório. Estavam atentos ao drama do patrão: duas secretárias e dois seguranças. Charles já havia levado a última candidata até o elevador de serviço, alertando-a de que tinham a gravação do ocorrido com a menina e aconselhando-a a não comentar o assunto com ninguém. As secretárias cochicharam, assim que o CEO voltou ao escritório levando as duas. A notícia do plágio já estava no grupo da empresa e a acusação caía sobre Melissa, que teve sua foto amplamente divulgada. — Você percebeu? Era a designer acusada de plágio. — Sim, e também a única jovem que ele permitiu entrar no escritório. — Se eu soubesse que o caminho para o coração do patrão era a menina, teria me candidatado ao cargo de babá. — Não diga besteira. Não percebeu como as candidatas saíram arrasadas? Aquela menina é terrível, mesmo sendo tão nova. — Que pena… ele é tão lindo! — respondeu a outra, suspirando. Dentro do escritório, Rômulo mandou que Melissa sentasse no sofá e tentou pegar Bela mais uma vez e foi rechaçado. — Eu preciso conversar com a senhorita Jones, minha filha. — Eu preciso da mamãe, papai. Seu colo é macio e quentinho. A menina aconchegou-se mais, com a cabeça no peito de Melissa e fechou os olhos, sonolenta. Rômulo enterneceu e um sorriso brando suavizou seu rosto. Melissa também se enterneceu, mas foi com o pai que suavizou a expressão, mostrando um lado terno que ninguém conhecia, muito menos ela que se apaixonou pelo homem naquele instante. Ele analisou a situação e teve uma ideia que resolveria o problema dos dois. Pela primeira vez sua filha se agradou de uma mulher e não podia negar, que ele também. Pensou: “ Você será minha de qualquer maneira, Melissa Jones. Agora que te encontrei, não te deixarei escapar.” — Aceitaria ser a babá da minha filha, senhorita Jones? Ela sorriu, o deixando mais encantado com ela, do que já estava, com o sorriso bonito de dentes brancos e que formava covinhas nas bochechas. — Eu sou uma designer, não uma babá. — Infelizmente, você não está em posição de poder escolher, não é mesmo? Melissa gelou ao ouvir ele mencionar o plágio, praticamente a acusando e o fato lhe deu um aperto no coração. — O que quer dizer com isso, senhor, vai me demitir? Percebendo que atingiu o alvo e deixou-a com medo, aproveitou-se do fato, como o bom empresário que era. — Vou te fazer uma proposta: posso te acusar de roubo ou você pode cuidar da Isabela. Simples assim. — Ele sabia que estava sendo um crápula, pois ela era inocente, mas não resistiu. O sangue subiu a cabeça de Melissa e seus olhos ficaram vermelhos, se a criança em seu colo não estivesse dormindo grudada nela, tinha se levantado e ido embora, depois de dar um tapa na cara do aproveitador, é claro, mas não podia fugir e deixar ele acusá-la injustamente. — Eu não roubei nada e o senhor, com certeza, já viu as imagens de segurança e sabe muito bem quem é o ladrão. Não pode me acusar sem provas. — Você não é fraca, não. — sorriu ele, admirando-a — Vou lhe dar outra chance: você cuida da Bela e eu cuido da sua reputação. Defenderei sua causa e você continuará como a designer da coleção. Ele também não era fraco, não. Sabia jogar e ela não tinha condições de provar sua inocência sem as imagens de segurança que devem estar com ele. Também tinha o fato de não haver mais segredo das peças desenhadas. — Mas ela já foi publicada. — Aquela não é a que estamos confeccionando, roubaram os designers antes das mudanças que fizemos. Mesmo nós não nos encontrando, vejo tudo o que você faz, dou sugestões e aprovo ou desaprovo o que será confeccionado. O espanto ficou expresso em seu rosto, nunca passou por sua cabeça que o fiscal de seu trabalho fosse ele. — Então, todas as dicas que recebi, foi o senhor quem deu? — Exatamente. A pessoa que tentou te prejudicar, deve ter pensado que você estava tendo ajuda de fora, sem saber que eu via tudo. Então, aceita? De onde ele tirou a ideia de que ela trocaria sua posição, conquistada com tanto sacrifício, por algo tão servil como ser uma babá? Nada contra as babás, era uma profissão nobre,mas não para ela, que estudou tantos anos e era o seu sonho na vida, ser uma estilista renomada. — Desculpe, mas não é tão simples. Eu nunca cuidei de uma criança e nem sou culpada a ponto de ceder a uma chantagem, então, desculpe, mas não.






