O véu de Alina Valmont prendeu no trinco da porta no exato momento em que todos se levantaram para vê-la entrar.Por um segundo, ninguém percebeu.O quarteto de cordas continuou tocando no salão principal da antiga propriedade Valmont. As flores brancas pendiam dos arcos de ferro como se aquela casa nunca tivesse conhecido vergonha. Os convidados se viraram em perfeita sincronia, taças na mão, joias brilhando, sorrisos treinados.Alina sentiu apenas o puxão seco na nuca.Parou.A renda delicada esticou atrás dela. Uma das damas tentou soltar o tecido às pressas, mas seus dedos tremiam. Do outro lado das portas abertas, duzentas pessoas esperavam a noiva perfeita da família Valmont caminhar até o altar.— Não se mexa — sussurrou Helena, sua mãe, aproximando-se por trás.A voz de Helena Valmont vinha baixa, quase sem ar, como se até respirar forte pudesse manchar aquela cerimônia.— Vai rasgar — disse a dama.Alina fechou os olhos por um instante.O vestido era pesado demais. O buquê pe
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