Mundo de ficçãoIniciar sessãoFiquei olhando para Adrian Montenegro como se ele tivesse acabado de dizer a coisa mais absurda do mundo.
Porque, na verdade, ele tinha.
— Você enlouqueceu — falei finalmente.
Ele permaneceu completamente calmo.
— Não.
— Você acabou de pedir para uma mulher que acabou de conhecer se casar com você.
— Um casamento por contrato — corrigiu ele.
— Isso não melhora a situação.
Adrian encostou as costas no banco do carro, observando minha reação com uma tranquilidade irritante.
— Você precisa de estabilidade — disse ele. — E eu preciso de uma esposa.
— Isso parece a pior ideia do universo.
— Talvez.
Ele inclinou ligeiramente a cabeça.
— Mas ainda é uma solução.
Cruzei os braços.
— Eu nem sei quem você é.
— Adrian Montenegro.
— Isso eu já ouvi.
Ele suspirou levemente.
— Minha empresa administra uma das maiores redes de investimentos do país.
Meus olhos se estreitaram.
— Você é um desses bilionários que aparecem em revistas?
— Algo assim.
Eu soltei uma pequena risada descrente.
— Claro que é.
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
A chuva ainda caía forte lá fora.
— E por que exatamente você precisa de uma esposa? — perguntei.
Ele demorou um pouco para responder.
— Minha família.
— Isso explica muita coisa.
— Meu avô deixou claro que só vou assumir completamente o controle da empresa quando me casar.
— Então encontre alguém que aceite.
— Não confio em ninguém do meu círculo.
Ele me encarou diretamente.
— Mas você é diferente.
— Porque eu quase fui atropelada?
— Porque você acabou de perder tudo.
Aquelas palavras me atingiram como um soco.
Meu estômago se contraiu.
— Obrigada por lembrar.
— Eu não disse isso para te machucar.
— Parece que disse.
Ele respirou fundo.
— Estou dizendo que você não tem motivos para mentir para mim.
Olhei para ele em silêncio.
— Quanto tempo? — perguntei.
— Um ano.
— Um ano de casamento falso?
— Sim.
— E depois?
— Cada um segue sua vida.
Aquilo parecia um roteiro de filme.
— E o que você ganha com isso? — insisti.
— Liberdade.
— E eu?
Ele me observou por alguns segundos.
— Segurança.
— Segurança?
— Uma casa. Estabilidade financeira. Proteção.
A última palavra fez algo dentro de mim se mexer.
Proteção.
Era algo que eu não sentia desde… bem, desde antes de descobrir aquela traição.
— E qual seria exatamente o meu papel? — perguntei.
— Apenas ser minha esposa diante do mundo.
— Apenas?
— Comparecer a eventos. Manter as aparências.
Ele fez uma pausa.
— Nada mais.
— Nada mais?
Ele percebeu o que eu estava insinuando e respondeu imediatamente.
— Nosso casamento seria apenas no papel.
Eu fiquei em silêncio.
A proposta era absurda.
Completamente absurda.
Mas, ao mesmo tempo…
Eu não tinha para onde ir.
Minha vida tinha desmoronado em uma única noite.
— Posso pensar? — perguntei.
Adrian assentiu.
— Claro.
Eu olhei pela janela.
As luzes da cidade refletiam na rua molhada.
Meu marido.
Minha irmã.
A casa que agora parecia contaminada pelas mentiras deles.
— Se eu aceitar… — falei lentamente — existem regras.
— Estou ouvindo.
— Nada de controlar minha vida.
— Concordo.
— Nada de mentiras.
Ele levantou uma sobrancelha.
— Em um casamento falso?
— Especialmente em um casamento falso.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
— Justo.
Respirei fundo.
— E tem mais uma coisa.
— O quê?
— Quando esse contrato acabar… você desaparece da minha vida.
Os olhos dele ficaram um pouco mais escuros.
— Isso pode ser arranjado.
— Então…
Minha voz falhou por um segundo.
— Eu aceito.
Adrian não demonstrou surpresa.
Como se já soubesse qual seria minha resposta.
Ele estendeu a mão.
— Então temos um acordo, Lívia.
Eu hesitei por um segundo.
Mas então apertei a mão dele.
E naquele momento…
Eu não fazia ideia de que estava entrando no acordo mais perigoso da minha vida.







