Sebastian Morcelli
O elevador espelhado da Black refletia meu rosto calmo. Enquanto subia, ajustei a gravata e ensaiei um sorriso — não de boas-vindas, mas de predador pronto para morder a presa. Já sabia o que me esperava naquela sala: Sean totalmente quebrado, sangue quase escorrendo de seus poros. E ao lado dele, a raposinha. Sua fraqueza, a qual ele insiste em fingir que não existe.
As portas se abriram. Fui recebido pela secretária, uma senhora patética de conjuntos combinados, falante demais. Em um minuto disse mais de dez palavras entre “Bom dia” e “O que deseja”. Meu Deus, como certas pessoas não percebem que são peso morto no mundo.
Bruno foi o primeiro a me encontrar. Aquela cara de cachorro leal e impotente. Se não fosse cômico, até daria pena. Quase.
— Bom dia, Sr. Morcelli. — Ele tentou manter a voz firme.
Respondi apenas com um aceno lento, como quem cumprimenta um funcionário de hotel.
Entrei. A mesa de reuniões da Black sempre me pareceu exagerada, como se o tamanho fo