Analu
Os dez dias depois da oitiva do Zyon são como se o tempo tivesse ficado bêbado, anda devagar, tropeça, para de repente e depois corre sem aviso. A casa vira um limbo. Todo mundo tenta fingir que a vida segue normal, mas o medo paira no ar como fumaça de cigarro barato, você não vê, mas sente no peito, na garganta, nos olhos que ardem sem motivo.
Eu acordo de madrugada quase toda noite. Tipo às três, às quatro, quando o silêncio da rua é tão pesado que parece que o mundo parou de respirar.