Humberto
Tudo estava perfeito. Perfeitamente planejado, perfeitamente encaminhado. Eu olhava para a Analu naquele restaurante francês, a luz baixa acariciando a linha do pescoço dela, e via o futuro como um projeto arquitetônico impecável. A cerimônia na Igreja da Glória, a recepção no Copacabana Palace, a lua de mel nas Maldivas. Ela sorria, sim. Mas era um sorriso educado, de quem segue o roteiro. Às vezes, nos fins de semana na casa de praia dos meus pais, eu a via parada na varanda, olhando o mar com uma expressão… vazia. Mas eu atribuía à timidez, ao processo de adaptação. Ela se acomodaria. Todas se acomodam. É só uma questão de mostrar o caminho, o conforto, a segurança. Eu era a segurança. O marido certo, da família certa, com o futuro certo.
Era tudo tão previsível. Os jantares formais onde eu a guiava pelos cumprimentos certos, as reuniões de família onde seu pai, o Sr. Bernardes, me olhava com aquela aprovação sólida de quem está passando o bastão. A mãe dela, Sra Bernardes