ANALU
O carro era uma urna de vidro fumê e couro importado. Dois seguranças ao meu lado, impenetráveis, o motorista com as mãos firmes no volante, nos guiando para longe da única coisa que importava. Eu me encolhia no banco de trás, o corpo ainda tremendo do susto.
A mansão surgiu, seus contornos familiares agora me enchendo de pavor. Os portões se abriram e se fecharam atrás de nós com um ruído metálico final. A prisão.
Mal meus pés tocaram o mármore gelado do hall, minha mãe veio até mim. Seu rosto, normalmente um modelo de serenidade, estava pálido, os olhos vermelhos e inchados.
— Ana Luísa, pelo amor de Deus — ela sussurrou, agarrando meus braços. Suas mãos estavam frias. — O que você estava pensando? Naquela casa... com aquele homem? Pensa na sua família. Pensa na sua vida!
Ela não entendia.
Ninguém aqui entenderia.
Como explicar que naquela casa simples, com o cheiro de cigarro, gasolina e perigo, eu era mais eu mesma do que jamais fui entre estas paredes douradas? Como descr