Marca na Pele

CAYO

Mano, eu tô tentando fingir que tá tudo sob controle. Acordo, ela tá do meu lado, aquele cabelo loiro espalhado no meu travesseiro barato, e por um segundo, o mundo é perfeito. O Zyon tá roncando baixinho no colchão no chão, e eu tenho os dois tesouros que importam, debaixo do meu teto.

Mas aí o celular dela vibra. De novo.

Não é mais um zumbido, é um grilo de desgraça, insistente, lembrando a gente que lá fora existe um mundo que quer ela de volta. Um mundo de gente que toma champanhe no café da manhã e acha que motoboy é um ser invisível.

Ela tem ignorado.

No terceiro dia, ela pegou o maldito aparelho, olhou pra tela com uma cara de cansaço que me deu uma dó do caralho, e desligou. Jogou na bolsa e fingiu que aquilo não existe.

Mas eu sei que existe.

O cerco tá fechando, eu sinto no meu osso. O ar tá pesado, igual antes de tempestade.

O pior é o tal do Humberto.

O noivo.

O cara certo.

O fantasma dele mora aqui.

É um cara influente, ela disse isso uma vez, sem querer, nu
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