ANALU
Enquanto o Cayo tomava banho, eu encarava o celular agora na minha mão.
Não consegui resistir por muito tempo. A ansiedade era uma cobra se enrolando no meu estômago.
Peguei o aparelho.
A tela estava um pesadelo.
Cento e tantas mensagens.
A maioria da minha mãe.
Algumas do meu pai, secas e formais.
📲 Pai: Analu, entre em contato imediatamente.
Outras de números desconhecidos que eu sabia serem da imprensa pelas perguntas diretas.
📲 Imprensa: Olá, Ana Luísa Bernardes. Pode nos dar uma exclusiva? Só queremos saber o motivo da senhora ter sumido, tem outro no seu caminho?
E Humberto.
Trinta e sete mensagens de Humberto.
A última:
📲 Humberto: O que você está fazendo conosco? Comigo? Volta, por favor. Ignoro tudo.
A palavra "ignoro" me pegou.
Ele estava disposto a ignorar que eu tinha fugido no dia do nosso ensaio de noivado? Ignorar onde eu estava, com quem estava? Era um perdão que parecia mais uma condenação, uma anistia que apagaria minha identidade.
Um suor frio co