Analu
A moto parou com um solavanco final em frente ao motel, e meu coração parecia tentar escapar pela garganta. "Paraíso Encontrado", o letreiro piscava em neon rosa, ironizando a fachada descascada. Deslizei da garupa, pernas trêmulas, tentando não mostrar o quanto aquele lugar me assustava e, ao mesmo tempo, excitava.
O Cayo desceu com aquele jeito fácil, como se cada movimento seu fosse uma afirmação de poder. Ele puxou o capacete, e aqueles cabelos castanhos bagunçados caíram sobre a testa, um contraste brutal com o olhar pesado que me devorou.
— Esperava algo melhor, princesa? — Sua voz era um desafio, um baixo rouco que ecoava no ar noturno.
— Está perfeito para o que você pode oferecer, motoboy — retruquei, erguendo o queixo.
Ele riu, um som seco, e pegou minha mão com uma firmeza que não admitia discussão. A palma da mão dele era áspera contra a minha pele, um mapa de calos provavelmente de tanto trabalho que me fez estremecer.
A recepção era um cubículo com cheiro de cigarr