Cayo
Eu tô sentado nessa sala apertada, com cheiro de mofo e café requentado, esperando o doutor que a Defensoria mandou pra mim. A mesa é de madeira rachada, tem uma pilha de pastas amareladas do lado, e o ventilador no teto range como se tivesse bronquite. Eu mexo no bolso da calça jeans, aperto o maço de cigarro que nem fumo mais, quer dizer, só quando tô nervoso. Tô de camiseta velha, tênis, barba por fazer. Me sinto um peixe fora d’água nesse lugar cheio de papel e lei.
O advogado entra fi